12/30/2011

2011: Filmes



















Um Ano Mais, de Mike Leigh
A Autobiografia de Nicolae Ceausescu, de Andrei Ujica
Carlos, de Olivier Assayas
Fora-de-jogo, de Jafar Panahi
Indomável, de Joel e Ethan Coen
Matar para Viver, de Jerzy Skolimowski
Poesia, de Chang-dong Lee
Sem Destino, de Monte Hellman
Uma Separação, de Asghar Farhadi
Temos Papa, de Nanni Moretti

Um grande ano para o «naturalismo», ensaiadíssimo e tristíssimo em Leigh (e em Canijo, já agora); feito de uma subtil banalidade, em Farhadi e de banalidade comovente em Chang-dong Lee. Assayas revitalizou o docudrama, ensaiando uma bem-sucedida parceria com a televisão. De Panahi, detido pelo regime iraniano, e autor de um original e engenhoso acto de resistência chamado Isto Não é um Filme, vimos finalmente Fora-de-jogo, de 2006, um protesto em tom agridoce e em que futebol, por uma vez, não significa alienação. Moretti, no ano em que Berlusconi foi despedido, filmou outro poder romano, o Papa, com uma simpatia melancólica estranha num confesso ateu. Os Coen provaram que a segunda vaga de westerns «revisionistas» se distingue pela lentidão (v. também O Atalho). Skolimowski fez uma obra abstractizante sobre um tema político. Ujica, um documentário de montagem magistral e assustador. E Monte Hellman, com uma camarazinha digital, voltou, no mais bizarro jogo de espelhos de 2011, é um filme sobre ilusões atrás de ilusões feito com as fragilidades de um estreante e a sabedoria de um mestre. 

Há alguns títulos ausentes desta lista e escolhidos como «do ano» por muito boa gente. Não me posso pronunciar sobre Aurora e As Quatro Voltas, que não vi. Mas confesso-me agnóstico nas três obras «devotas» dos últimos meses. Von Trier é sempre difícil de engolir, mas Melancolia volta a conjugar depressão clínica com pretensiosismo apocalíptico; não é grotesco, como Anticristo, mas é inócuo e um pouco pateta. Filme Socialismo é mais do mesmo do «Godard tardio», um Godard que abandonei depois do sublime Histoire(s) du cinéma, que me parece agora ruminante, repetitivo, aleatório, às vezes um pouco embaraçoso na poetização de um desencanto que já nem sequer é «militante». Malick deu o passo em frente, do panteísmo extasiado dos últimos filmes para o deísmo grandiloquente; gosto muito dos fragmentos de uma infância e de algumas imagens assombrosas, mas A Árvore da Vida exige mais do que admiração, exige devoção, e eu não comungo dessa fé.