2011: Filmes

Um Ano Mais, de Mike Leigh
A Autobiografia de Nicolae Ceausescu, de Andrei Ujica
Carlos,
de Olivier Assayas
Fora-de-jogo, de Jafar Panahi
Indomável, de Joel e Ethan Coen
Matar para Viver, de Jerzy Skolimowski
Poesia, de Chang-dong Lee
Sem Destino, de Monte Hellman
Uma Separação, de Asghar Farhadi
Temos Papa, de Nanni Moretti
Um grande ano para o «naturalismo»,
ensaiadíssimo e tristíssimo em Leigh (e em Canijo, já agora); feito de uma
subtil banalidade, em Farhadi e de banalidade comovente em Chang-dong Lee.
Assayas revitalizou o docudrama, ensaiando uma bem-sucedida parceria com a
televisão. De Panahi, detido pelo regime iraniano, e autor de um original e
engenhoso acto de resistência chamado Isto Não é um Filme, vimos finalmente
Fora-de-jogo, de 2006, um protesto em tom agridoce e em que futebol, por uma vez, não significa alienação. Moretti, no ano em que Berlusconi foi despedido, filmou outro poder
romano, o Papa, com uma simpatia melancólica estranha num confesso ateu. Os
Coen provaram que a segunda vaga de westerns «revisionistas»
se distingue pela lentidão (v. também O Atalho). Skolimowski fez
uma obra abstractizante sobre um tema político. Ujica, um documentário de
montagem magistral e assustador. E Monte Hellman, com uma camarazinha digital,
voltou, no mais bizarro jogo de espelhos de 2011, é um filme sobre ilusões atrás
de ilusões feito com as fragilidades de um estreante e a sabedoria de um
mestre.
Há alguns títulos ausentes desta lista e
escolhidos como «do ano» por muito boa gente. Não me posso pronunciar sobre
Aurora e As Quatro Voltas, que não vi. Mas confesso-me agnóstico nas três obras
«devotas» dos últimos meses. Von Trier é sempre difícil de engolir, mas
Melancolia volta a conjugar depressão clínica com pretensiosismo apocalíptico;
não é grotesco, como Anticristo, mas é inócuo e um pouco pateta. Filme
Socialismo é mais do mesmo do «Godard tardio», um Godard que abandonei depois
do sublime Histoire(s) du cinéma, que me parece agora ruminante, repetitivo,
aleatório, às vezes um pouco embaraçoso na poetização de um desencanto que já
nem sequer é «militante». Malick deu o passo em frente, do panteísmo extasiado
dos últimos filmes para o deísmo grandiloquente; gosto muito dos fragmentos de
uma infância e de algumas imagens assombrosas, mas A Árvore da Vida exige mais
do que admiração, exige devoção, e eu não comungo dessa fé.

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