12/30/2011

Thanatos


















Os meus mortos do ano são em geral aqueles sobre quem escrevi de imediato alguma coisa: este ano, foram os escritores empenhados Jorge Semprún, Ernesto Sabato, Christopher Hitchens e Vaclav Havel, aos quais acrescento agora Christopher Logue, que nos deu a Ilíada num inglês endiabrado; e o estruturalista lúdico Gilbert Adair. E Christa Wolf, cujo diário comecei a ler há dias; Wilfrid Sheed, de quem li os Essays in Disguise; e o inclassificável Russell Hoban. Entre os artistas, escreverei em breve sobre o meu favorito Lucian Freud (também deixei aqui breves referências a Richard Hamilton e Cy Twombly). No cinema, morreu uma vintena de nomes importantes, e do meu panteão faziam parte em especial Peter Falk e o Sidney Lumet da fase tardia (além disso, continuam a desaparecer os actores clássicos, a Taylor, a Russell, Farley Granger). Na política, há a celebrar várias mortes, faleceu muito facínora nos últimos tempos, mas deixo aqui uma homenagem a esse «velho europeu» que era o impecável Otão de Habsburgo, e a Daniel Bell, autor de The End of Ideology. E porque a criação artística não está desligada do resto da vida, uma palavra final para Suze Rotolo, porque uma pessoa que originou canções de Dylan não viveu em vão.