12/15/2011

Blur















Retrospectiva Richter na Tate. Não me interessa nada aquele Richter que mal conhecia, as experiências dadaístas, cromáticas, abstractas, os espelhos e as geometrias, quase tudo foi feito melhor por outros artistas, é muito entediante. Em contrapartida, gosto, já sabia que gostava, do Richter «pop de esquerda», o discurso crítico sobre o capitalismo, o turismo, o consumismo, o passado nazi mal superado, gosto dos readymades brilhantes e retrabalhados, quase posters, quase ícones, sejam bombardeiros durante a guerra, anúncios de automóveis ou os Baader-Meinhof mortos, é uma espécie de tabloidismo elitista, distanciado, austero. E gosto acima de tudo dos quadros pintados a partir de projecções de fotografias, evocando as duas materialidades, nas pinceladas e no desfocamento, essa mancha fantasmagórica, quase um ectoplasma, e que faz das pessoas mais concretas e identificadas meras assombrações, dizem-nos quem são ao mesmo tempo que as rasuram, como se a memória fosse um acto imediato, que presentifica o passado esfumado e desfaz o presente. Richter pintou várias mulheres com uma mancha em cima, bem o entendo.