12/31/2011

Cadernos do subterrâneo

«Oh, mas digam-me: quem foi o primeiro a proclamar, o primeiro a declarar que o homem faz sujeiras só porque não conhece os seus verdadeiros interesses; e que, se for esclarecido, se alguém lhe abrir os olhos para os seus verdadeiros e normais interesses, o homem deixará imediatamente de fazer pulhices, tornar-se-á sem tardança bom e nobre, porque, iluminado por alguém e na posse da consciência das suas vantagens, ele, consequentemente, começará por assim dizer a fazer o bem». Isto escreve Dostoievski nos Cadernos do Subterrâneo (1864) [trad. port. Nina e Filipe Guerra].

O grande biógrafo de Dostoievski, Joseph Frank, escreveu que Cadernos do Subterrâneo tem como tema a incapacidade do livre-arbítrio contra o determinismo. Não consigo imaginar tema mais terrível, mais actual. Sobretudo porque Frank acrescenta que o «homem do subterrâneo» encena-se como «resistente» mas não produz mais do que um espectáculo deprimente.