Ruínas

Há umas semanas, em Londres, vi uma exposição sobre a arquitectura soviética dos anos a seguir a 1917. Tal como noutras artes, houve uma explosão de modernismo visionário, exaltado, utópico, unindo forma e função em torres, fábricas, casas de operários e de funcionários, centros culturais, piscinas, escolas. Ao lado das fotografias antigas, dos desenhos e maquetes, estavam expostas fotos tiradas depois da queda do comunismo, com os prédios decadentes, abandonados, em ruína. Um sonho modernista que morreu duas vezes e acabou esquecido. Pouco me interessa, para este efeito, o modernismo, enquanto estética, e o comunismo, enquanto ideologia; interessa-me o entusiasmo e a ruína, interessam-me aquelas fotografias, a sua tristeza.

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