12/02/2011

Soneto à morte de Pedro Mexía

«Quem jaz morto aqui?» «Pedro Mexía».
«Pedro Mexía morreu?» «Diz antes que morrendo
começou agora a viver, porque vivendo
fora de onde agora vive, não vivia.

«Foi cavaleiro?» «Sim». «E de que entendia?»
«Ora o céu, ora o mar ia medindo
ora de Carlos Magno escrevendo
a fama de ambos, que imortal fazia».

«Mas se Alexandre chorou as memórias
famosas que de Aquiles escreveu Homero,
como não chora César tão grande falta?»

«Porque aquilo que escreveu de suas histórias
basta para dar fé naquele fim último e vero
e tal nunca alcançou pluma tão alta». 


[Gutierre de Cetina (1520-1557), i.m. Pedro Mexía (1497-1551),
versão de Pedro Mexia (1972-?), pluma tão baixa]