O álbum não vem acompanhado das respectivas
lyrics, e as fontes na net (incluindo actuações ao vivo) são contraditórias ou incertas: ela canta
«while every line speaks the language of love» ou
«while every lie speaks the language of love»?
A primeira hipótese torna o verso algo banal, mesmo tendo em conta o que se segue:
«While every line speaks the language of love / It never held the meaning I was thinking of». Cada frase fala na linguagem do amor, mas não tem o significado que ela pensava, é a «linguagem do amor» apenas como «linguagem», porque o «significado» só nasce em contexto, aí é que se vê que sentido tem.
Em contrapartida, se for a segunda hipótese, fica:
«While every lie speaks the language of love / It never held the meaning I was thinking of». Não é apenas a mentira a agir numa relação amorosa, isso seria trivial, é a mentira «que fala a linguagem do amor», ou seja, é o próprio acto de mentir que se confunde com o acto de amar. E, se isso não tem o significado que ela pensava, a que se deve tal surpresa: ao facto de ser uma mentira? Ou à incapacidade quase metafísica de a mentira se confundir inteiramente com o amor?
[Beth Orton, «Stolen Car», álbum
Central Reservation, 1999]