6/30/2011

Words for windows

Governo Sombra no Porto

Nos 20 anos da TSF-Porto, o Governo Sombra descentraliza o debate. Ricardo Araújo Pereira, Pedro Mexia, João Miguel Tavares e Carlos Vaz Marques - os ministros que podem, querem mas não mandam – desta vez deliberam a norte. Esta sexta-feira, depois das seis da tarde, o Governo Sombra, o último antes das férias, vai estar em directo e ao vivo na Fundação de Serralves.

6/29/2011

Mas também muita porcaria

Lot of water under the bridge, lot of other stuff too
Don't get up gentlemen, I'm only passing through


[«Things Have Changed»]

O incomodado muda-se

Tanto pequeno Zuckerberg convencido de que a sociedade ideal é a sociedade onde se sabe tudo sobre toda a gente. Os incomodados que se mudem, e o incomodado sou eu, tenham uma boa noite.

Um tipo de pessoa que já não existe

But here I fear I am becoming nostalgic. I am dreaming of a Web that caters to a kind of person who no longer exists. A private person, a person who is a mystery, to the world and—which is more important—to herself.

[Zadie Smith]

6/27/2011

The Bad and the Beautiful

Aquele conjunto de fenómenos

Há três categorias de pessoas que mostram bastante frieza face àquele conjunto de fenómenos a que chamamos «o amor». Os cerebrais consideram «o amor» a parte mais juvenil e lamentável da embaraçosa «vida emocional». Os cínicos acham que «o amor» é uma ficção poética que mitifica o desejo sexual. Os afortunados só têm a experiência da conjugalidade, da domesticidade, da família, e não compreendem a dimensão tumultuosa ou trágica que «o amor» muitas vezes tem. Conheço bem estas pessoas: convivo há mais de vinte anos com o paternalismo dos cerebrais, o desdém dos cínicos e a incompreensão dos afortunados.

6/26/2011

Impala












Some guy in an Impala shakes his head when he rides by
But I remember when we shared a vision, you and I


[The Mountain Goats]

Ainda está à minha espera

Quando passámos pelos lados do Lumiar, o taxista indicou vagamente um prédio ou um quarteirão e disse: «Aqui vive uma rapariga que ainda está à minha espera». Olhei para o taxista. De lado parecia ter cinquenta e poucos, ao espelho aparentava cinquenta e muitos. Percebi que ele queria contar a história. «Ainda está à sua espera?», perguntei. Explicou-me que tinham namorado há uns anos, muitos anos, e depois ele foi-se embora, teve que ir, não entendi bem se emigrou ou se esteve no exército, o certo é que quando voltou a Lisboa já vinha casado, ou junto, mas de qualquer modo essa relação não funcionou e agora ele está desimpedido. Embora não tenha retomado o contacto com a rapariga, rapariga agora cinquentona, chegou-lhe notícia de que ela nunca se tinha casado, e de que ainda estava à espera dele. Arrisquei o óbvio: «Ainda gosta dela?». Ele não quis responder. Começou a dizer que ela guardava dele uma imagem falsa. E não se tratava de nenhum equívoco de natureza romântica: «Ela pensa que eu tenho dinheiro, mas eu perdi o dinheiro todo, agora não tenho dinheiro nenhum». Tentei argumentar que ela não esperaria décadas só por causa do dinheiro dele. E talvez o que eu disse fosse verdade, porque ele nem me deixou terminar a frase, atalhou logo, que não dava, que era demasiado tarde, que era impossível. E no entanto voltou a comentar alto «ela ainda está à minha espera», como se não levasse passageiros, como se as suas próprias desculpas fossem insuficientes para apagar o risco de uma vida alternativa.

6/24/2011

Camilo responde aos sábios














Alguns rapazes sem habilidade, nem estudo que lhes suprisse a incapacidade do engenho, apareceram aí a pinchar como sapos de lameiro em tarde trovejada de Julho. Dizem que me lastimam porque a ciência aumentou, reformou-se. Dizem que os meus livros são vendidos a oitenta reis o quilo; que estou velho e doente; que sou patriarca de uma escola que desapareceu com o governo despótico. Dizem que os meus romances são do tempo em que as constipações se curavam com cozimentos de passas e chá de flores de borragem e erva-cidreira. Este sincronismo tem uma profunda crítica disentérica. Para as constipações dos sábios, a veterinária não tem adiantado nada. (...)

[amanhã, no Expresso, Camilo responde aos sábios da Educação que o expurgaram do currículo do ensino secundário]

Só mais uma coisa


















Não faltam, na galeria dos detectives ficcionais, personagens desajeitadas ou antipáticas, que fazem da busca da verdade um percurso divertido ou desagradável. O inspector Columbo tem lugar de destaque nesse panteão. Não era antipático, pelo contrário, era cortês e afável, embora aparentemente distraído, quase ausente. Mas era terrivelmente desajeitado, amarrotado, mal pronto, cheio de tiques físicos e verbais, o olho de vidro franzido, um discurso coloquial e às vezes confuso, gestos frenéticos a procurar fósforos, charuto apagado na boca e, claro, aquela famosa gabardina, que ele parecia usar vinte e quatro horas por dia, trezentos e sessenta e cinco dias por ano. Como acontecia com os seus antecessores detectives, o exotismo funcionava como uma manobra de diversão, porque depois ele descobria a verdade através de pequenos detalhes nos quais ninguém tinha reparado, «just one more thing», «só mais uma coisa», perguntava, e o caso estava resolvido. Columbo, cujas primeiras temporadas (1971-1978) vi quando era miúdo, fez-me descobrir Peter Falk (1927-2011), actor invulgar, ao mesmo tempo metódico e genuíno. Havia alguma coisa de incomodativo no seu comportamento, que nunca me pareceu simplesmente patusco ou cómico, mas também imprevisível, secreto, quase dorido, talvez explosivo. Cassavetes tratou de nos mostrar esse outro lado.

6/22/2011

Da mutabilidade












O grande tema da poesia, e portanto da vida, é a mudança, mas a mudança, mais do que um tema, é um facto. Talvez o grande tema da vida, e portanto da poesia, seja então a mutabilidade: a volubilidade, a volatilidade, a inconstância.

Vida pessoal

Não há como evitar as experiências desagradáveis na esfera pública. Mas ninguém está obrigado a uma vida pessoal que seja desagradável por sistema. Voltei a lembrar-me disso esta tarde, rodeado de amigos que não fazem da agressão uma forma de convívio.

A escola do ressentimento

Eu gostava que o «ressentimento» fosse de facto a «mágoa que se guarda de uma ofensa», toda a gente guarda mágoas de alguma ofensa, é normal, mas temo que o ressentimento moderno seja bem diferente disso, que seja o ódio que se guarda de uma diferença.

6/21/2011

Programa de Governo


















Preserving the old ways from being abused
Protecting the new ways for me and for you

6/20/2011

Pedro Hestnes 1962-2011














Pedro Hestnes é para mim sinónimo de cinema português, o cinema português que vi entre o final do liceu e o fim da faculdade, os filmes de Botelho, Canijo, Costa, Villaverde (e Mozos uns anos depois), cinema da geração anterior à minha ou já quase da minha e no qual eu tentava descobrir o país em que vivia, e a possibilidade de haver um cinema nesse país, e a possibilidade de haver um país. Em muitos desses filmes estava Pedro Hestnes, magro, esquivo, tristonho, balbuciante, devotado, calado, perdido, intenso. Tinha e tenho, como tantos de nós, um problema com o cinema português, e o problema faz parte dessa relação, já não a imagino sem ele, mas Pedro Hestnes não fazia parte desse problema, era pelo contrário a possibilidade de aquele cinema a que eu resistia ter um rosto com quem empatizava de imediato. O negrume de Tempos Difíceis ou O Sangue era-me sempre um pouco alheio, feito de referências que não eram as minhas, de mundividências opostas à minha, às vezes de ruas onde nunca tinha ido ou de vidas que não conhecia. Mas com Pedro Hestnes eu sentia-me representado nesses filmes, entrava nesses filmes através dele, não porque eu me parecesse nalguma coisa com ele, ou ele comigo, nada de nada, mas por causa daquele abandono comunicante que ele transmitia, geralmente com poucas palavras e poucos gestos, como se houvesse nele uma verdade secreta mas transmissível, algo que nos tocava a nós, da sua idade ou pouco mais novos, um modo de ser que era «português», o que quer que isso seja, mas que era também daquele tempo, de 1988 a 1994, os meus anos do fim do liceu e da faculdade, anos em que tentava descobrir-me de algum modo através do cinema, e também do cinema português, e também do meu fecundo problema com esse cinema. Foi sempre ele, o Pedro Hestnes, de quem nunca fui amigo ou conhecido, a quem apertei a mão uma vez, há três anos, e nem o reconhecia se não mo tivessem apresentado, tão mudado estava, foi ele quem me permitiu ver o cinema português, é essa a palavra, vê-lo como coisa minha, embora distante, coisa de família, dor mansa, quase vegetal. Penso no rapaz do Agosto de Jorge Silva Melo, um rapaz português de outra década mas inteiramente da nossa, das nossas, adolescente, atrevido, ingénuo, terno, perverso, um cão batido de quem eu gostei como de nenhum outro dos nossos actores, dos actores quase da nossa idade, dos actores quase nossos amigos, raparigas e rapazes tristes do nosso tempo e do nosso cinema e do nosso problema.

Deve haver um demónio entre nós dois

6/17/2011

Para acabar de vez com o eduquês

Ignorância, pretensiosismo, experimentalismo, burocracia, ludismo, facilitismo, demagogia. E um português deplorável. É o «eduquês», essa «ideologia educativa» que Nuno Crato desmontou num ensaio chamado O Eduquês em Discurso Directo: Uma Crítica da Pedagogia Romântica e Construtivista (Gradiva, 2006). Há anos que familiares e amigos ligados ao ensino me contam histórias abracadabrantes, quase inconcebíveis, sobre o mundo da educação e do «eduquês». Sei que muitos deles depositam grandes esperanças em Crato, agora Ministro da Educação do XIX Governo Constitucional. Esperemos que ele seja digno dessa esperança. Fez o diagnóstico, falta fazer a mudança.

Pele fina

À espera de mais

«It was me, waiting for me, / Hoping for something more, / Me, seeing me this time, hoping for something else». É isso mesmo, é exactamente isso: eu à minha espera, à espera de mais, à espera de outra coisa.

Terminologia

Porquê «mudança» e não «aceitação»? A mudança é em geral uma forma de logro. E a aceitação é talvez uma forma de felicidade.

Estas ilhas

Numa melindrosa visita à República da Irlanda, a Rainha de Inglaterra fez um discurso que incluía este belo desafio: «being able to bow to the past, but not be bound by it».

6/16/2011

A inversa

Não sou amigo de pessoas de quem não sinto a falta. A inversa não é verdadeira.

Dias















What are days for?
Days are where we live.


[Philip Larkin]

Maus actores

Um texto de Joe Queenan sobre um tema de que gosto bastante: maus actores. «The difference between [Ben] Affleck and Reeves (…) is that Affleck, a very bad actor, is not a movie star while Reeves, who is not so much a bad actor as a non-actor, most assuredly is. Once you are a movie star, raising the question of your acting ability is not only irrelevant; it borders on the impolite».

Jogo amigável

Uma imagem adequada é a imagem do jogo amigável. Eu valorizei o «amigável»: nenhum mal me aconteceria. Ela valorizou o «jogo»: aquilo não tinha importância nenhuma.

6/13/2011

Núcleo acumbente
















Está tudo no mesmo sítio, é uma questão de ter muito cuidado. A recompensa, o prazer, o riso, a adicção, a agressão, o medo. E, mais perigoso, o efeito placebo.

Direito das gentes

Há pessoas que dizem mal dos nossos amigos à nossa frente, ou que dizem mal de nós à frente dos nossos amigos. É gente mal-educada. Há pessoas que dizem mal dos nossos «inimigos» à nossa frente, imaginando que temos inimigos, e acreditando que os inimigos dos nossos inimigos são nossos amigos. É gente mal informada. E há quem, com brutalidade mas sem dolo, diga mal, à nossa frente, de pessoas que nos foram importantes no passado. É gente incauta, lúdica, letal.

A crença e a existência












Deixei de acreditar na amizade aos 21 anos, e no amor, imagine-se, aos 33. Não é comparável com perder a fé, pois aqui é possível separar a crença e a existência. Tive aliás admiráveis provas objectivas depois dos 21 e depois dos 33. Mas cavou-se um fosse intransponível entre a existência e a crença, e a verdade nunca mais foi um facto objectivo.

6/12/2011

Deixa a serra

Num inquérito de jornal, perguntam ao romancista inglês Graham Swift: «Qual foi o melhor conselho que os seus pais lhe deram?». Ele responde: «Let the saw do the work», deixa a serra fazer o trabalho. Desde pequeno que tenho uma grande inabilidade com serras, serrotes e serrilhas, e nunca os meus pais me deram conselhos sobre esse assunto, mas compreendo a ideia, e acho a ideia excelente. Não sou um voluntarista, isto é, não acredito no triunfo da vontade, mas sei que se dermos o primeiro impulso muitas coisas se fazem por elas mesmas, às vezes com uma facilidade incrível. A serra, com um impulso inicial e um mínimo de persistência, faz o trabalho sozinha. Tenho de me lembrar mais vezes deste conselho que nunca me deram.

6/10/2011

O século dezanove através dos tempos

Gostava de ter vivido no século XIX, digo. E logo uns desatam num arraial de risada, e outros argumentam com os avanços da tecnologia ou da higiene. Mas eu não pretendo fazer género, muito menos negar as evidências do progresso. E nem sequer creio que a espécie humana em 1811 fosse diferente da espécie humana em 2011. Sucede que em «1811» (digamos assim) encontro algumas crenças e códigos de conduta nos quais me reconheço. Não posso ter a experiência directa de 1811, mas é comum encontrar textos e testemunhos desse século que me dizem bastante mais do que o discurso actual. Há nos oitocentistas que eu leio uma seriedade fundamental na maneira de encarar a existência. A espécie era igual, em 1811, mas talvez as pessoas, certas pessoas, não se comportassem com tanto cinismo e sarcasmo. O «desencantamento do mundo» tem sido demasiado agreste, e desembocou numa cultura competitiva, lúdica e amarga, com pouca capacidade de entusiasmo, gentileza e risco. Daí que prefira a companhia dos oitocentistas, meus contemporâneos.

A escrita ou a vida

Jorge Semprún (1923-2011) nasceu numa família ilustre, viveu a Guerra Civil Espanhola, o exílio em França, a resistência activa ao nazismo, o campo de concentração de Buchenwald, a clandestinidade comunista, a expulsão do Partido, foi militante político, intelectual comprometido e um polémico ministro da Cultura, além de romancista, ensaísta e guionista. Semprún (de quem só conheço L’Écriture ou la Vie) pertence a uma das grandes categorias de escritor novecentista: o escritor com «excesso» de biografia, que esteve sempre onde esteve a História do seu tempo, ou que andou pelos quatro cantos do mundo. Um modelo que tem variantes em Malraux, Gide, Hemingway ou Chatwin. O século passado também foi o século de Cavafis e Pessoa e Wallace Stevens, mas há um natural fascínio pelos escritores com «muita vida», como se ter uma biografia acidentada emprestasse genuinidade à literatura, a tornasse mais «impura», portanto mais sentida, mais relevante, menos fictícia.

6/09/2011

Só isto já custa
















A world like tomorrow wears things out
It's hard enough to get what's yours for now


[The Apartments]

6/07/2011

Café da política #5

Café da política #5
Almedina Atrium Saldanha
8 de Junho de 2011, às 19h
CICLO DO CAFÉ
Café da Política
«Quais elites?»
Com André Freire (politólogo, ISCTE-IUL) e Miguel Nogueira de Brito (jurista, FDUL)
Moderador: Pedro Mexia
Discussões sobre política não faltam: em fóruns radiofónicos, nos transportes públicos, em família. Mas nesta tertúlia mensal sobre política não queremos confrontar embirrações, palpites ou estados de espírito. A política não é puramente casuística, depende de leis, ideologias, tendências, propostas, e há quase sempre textos que enquadram ou antecipam as grandes decisões e as grandes polémicas. Sem preocupação estrita de acompanhar as novidades editoriais, o Café da Política vai ter em atenção o que escrevem os especialistas, para que o debate político não se faça no vazio, e para que a política se revele ser, afinal, sobre a nossa vida. Café da Política, com coordenação e moderação de Pedro Mexia.

The letting go

Epitáfio

Longe está o que foi, e profundíssimo; quem o achará?

[Eclesiastes, 7, 24]

Quénia

A nossa conversa lembrou-me aquele episódio com o Duque de Edimburgo na cerimónia da independência do Quénia. Quando a bandeira inglesa está a ser arriada do mastro, o príncipe Filipe vira-se para o primeiro-ministro Jomo Kenyatta e diz: «Are you sure you want to go through with this»? Há perguntas assim, inesperadas e extemporâneas, entre a inconveniência, a graça e a angústia. O Quénia, como sabes, tornou-se independente. Eu também.

6/06/2011

Always astonished

Nas livrarias do mundo de língua inglesa a poesia portuguesa é monopolizada por Pessoa. A Inglaterra começou a conhecer Pessoa com a tradução feita por Jonathan Griffin (1906-1990) para a Carcanet, em 1971; também em 1971, saiu em Chicago, na Swallow Press, Selected Poems by Fernando Pessoa, traduzidos por Edwin Honig (1919-2011). Aconteceria mais cedo ou mais tarde, talvez, mas aconteceu com Griffin e com Honig, a quem devemos ser gratos.

Da democracia

Leio gente que eu supunha civilizada a dizer que a opção eleitoral de cada indivíduo revela a sua virtude moral ou a falta dela. E percebo uma vez mais que temos uma democracia mas que ainda nos faltam os democratas.

6/05/2011

Governo Sombra - Especial eleições












Logo à noite, depois de contados os votos, vencedores e derrotados vão poder votar GOVERNO SOMBRA, no Frágil, em Lisboa. Ricardo Araújo Pereira, Pedro Mexia, João Miguel Tavares e Carlos Vaz Marques vão estar em reunião extraordinária, ao vivo e em directo para a TSF, a partir das 23h. Entrada livre.

A undécima praga

Depois da água transformada em sangue, das rãs, dos piolhos, das moscas, dos animais doentes, da sarna, da chuva de fogo, dos gafanhotos, das trevas e da morte dos primogénitos, parece que vem aí a undécima praga, «o liberalismo».

6/04/2011

Fortaleza

O advogado do diabo

Stendhal aconselha aos amigos de um homem funestamente apaixonado algumas maneiras de «curar o amor». Há uma das estratégias que é bastante curiosa: o amigo deve defender constantemente a mulher amada e deve recordar a todo o momento o comportamento dela. Stendhal não explica o efeito, mas imagino que o homem funestamente apaixonado se vá confrontando com uma imagem cruamente factual da amada, e que comece a irritar-se com o facto de um amigo ser capaz de defender até os defeitos dela. O amigo, que fez de advogado do diabo, torna a amada num diabo instrumental. E o homem funestamente apaixonado troca a lamúria pela revolta, e recupera a sua liberdade.

E eu não quero nada disso

My attitude towards communication has always been: it's a slippery slope, because you start communicating, the next thing you know you're going to be talking to each other, the next thing you know you're going to be feeling things, and then you'll be living your life and I want no part of that.

[William H. Macy, em entrevista ao Guardian]

6/02/2011

First we take Asturias, then we take Stockholm

Que limpa e delicada

Y él es un viejo hermoso, melancólico, con un registro muy pequeño, porque todas sus canciones se parecen sospechosamente unas a otras. Pero qué bella puede llegar a ser su monotonía. Qué limpia y delicada.

[Rosa Montero sobre LC, no El País]