1/23/2012

Um humanismo da imperfeição

Os Descendentes é um filme adulto, Alexander Payne é sempre adulto, mas este é um Payne mais discreto, menos demonstrativo, sem grandes efeitos emocionais ou satíricos. É curioso notar como o filme articula os grandes temas da mundividência conservadora. Temos a tradição, perpetuada através da afinidade, da propriedade e da transmissão. A fidelidade, atávica, inquieta, brutal. A família, célula frágil mas regenerável. A perda e os indispensáveis rituais de recomposição. Mas Payne não tem nenhuma agenda e evita qualquer determinismo. «Everything just happens», diz-se a certa altura, é preciso continuar apesar do que acontece, apenas isso, uma aceitação serena e triste, um humanismo da imperfeição.