Os nossos mortos
La Chambre verte, de Truffaut. Não me interessa tanto a componente gótica do conto de James que o filme adapta: o homem obcecado com a memória dos mortos, fidelíssimo aos seus mortos e distante dos vivos [embora partilhe o gosto dele por obituários]; o que me diz mais é a dimensão patológica: o viúvo e ex-combatente que troca o luto pelo culto, um culto monomaníaco que impede o trabalho de luto. E a ideia de que aqueles que um dia amámos são de certa maneira os nossos mortos, ainda que estejam vivos. Mas há ainda isto, que é terrível e admirável: saber se o culto do passado deve incluir o respeito por quem nos fez mal. E se esse respeito é humanista ou masoquista, ecuménico ou hipócrita, um apagamento ou uma reconciliação.

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