Tão bom para nós
A
melhor cena de sexo deste ano não é uma cena de sexo (o que em geral ajuda): é
de pancada. Mas enfim, são universos afins, e ver Gina Carano e Michael
Fassbender escavacarem um quarto de hotel tentando dar cabo um do outro, é
qualquer coisa. Fassbender é especialista em momentos lúbricos, mas aqui nem
precisa de desfraldar o celebrado varapau irlandês, é tudo vestidinho, a
rebolar, cair, partir, contorcer, sufocar, enfim, uma bela foda. Ajuda o facto
de Carano ser uma lutadora profissional, uma «gladiadora americana» à volta da
qual Steven Soderbergh constrói o formalista Haywire. Machona mas muito feminina,
Carano dá um baile à última não-actriz que Soderbergh foi desinquietar, a pornógrafa
catatónica Sasha Grey (The Girlfriend Experience, 2009). Em cinema, o sexo ou é meramente verbal ou tem que ser cinético, e um arraial de
murros e pontapés, com gente ofegante, a sangrar, é talvez o melhor modo de
fazer cinema sexual, um nadinha inquietante, bastante atlético, e tão bom para
nós como para eles.

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