5/16/2012

Tão bom para nós

A melhor cena de sexo deste ano não é uma cena de sexo (o que em geral ajuda): é de pancada. Mas enfim, são universos afins, e ver Gina Carano e Michael Fassbender escavacarem um quarto de hotel tentando dar cabo um do outro, é qualquer coisa. Fassbender é especialista em momentos lúbricos, mas aqui nem precisa de desfraldar o celebrado varapau irlandês, é tudo vestidinho, a rebolar, cair, partir, contorcer, sufocar, enfim, uma bela foda. Ajuda o facto de Carano ser uma lutadora profissional, uma «gladiadora americana» à volta da qual Steven Soderbergh constrói o formalista Haywire. Machona mas muito feminina, Carano dá um baile à última não-actriz que Soderbergh foi desinquietar, a pornógrafa catatónica Sasha Grey (The Girlfriend Experience, 2009). Em cinema, o sexo ou é meramente verbal ou tem que ser cinético, e um arraial de murros e pontapés, com gente ofegante, a sangrar, é talvez o melhor modo de fazer cinema sexual, um nadinha inquietante, bastante atlético, e tão bom para nós como para eles.