7/03/2012

Purgatório














Dante descreve o seu Purgatório com uma minúcia que vai muito além da dos teólogos. Concebe-o como um lugar de arrependimento e expiação, antes da salvação final. Ao mesmo tempo, o Purgatório dantesco julga os homens e as mulheres mais pelas suas intenções do que pelos seus actos, julga-os de acordo com o amor enviesado, deficiente ou excessivo que tiveram em vida. E aqui eu não compreendo, ou não aceito. Porque um amor enviesado, deficiente ou excessivo não é apenas intenção, é acto. E desse acto só pode haver arrependimento, não expiação, muito menos salvação. Quem se enganou no seu amor, como eu me enganei, talvez consiga chegar ao Purgatório, mas jamais sairá do Purgatório.