10/04/2012

A mais pequena ideia

Um texto, qualquer texto, suscita sete ou oito «reacções» típicas, das afectuosamente empáticas às grosseiramente ofensivas, mas não mais do que essas sete ou oito, as que constam do catálogo, nunca mais do que essas, ou diferentes dessas. Uma vez que a escrita gera mais equívocos do que verdade, desisti há muito de prestar atenção aos comentários de desconhecidos, tanto os ditirâmbicos como os ferozes. Reconheço-me naquilo que confessava há tempos um colunista inglês: «I tend to ignore both criticism and praise, because I encounter so many dissenting assessments of my own value as a writer, or even simply as a collection of atoms, it all becomes meaningless noise. (…). After years of carefully skim-reading the comments under my own articles, I can only conclude that none of you have the faintest bloody idea what you're on about». A «estética da recepção» é inevitável, mas causa tanto ruído que ninguém faz «a mais pequena ideia». Eu, aliás, também não.