10/12/2012

A grande maravilha


















Usei sempre a imagem do «epílogo», não um último acto mas uma breve conclusão, um desenlace. A felicidade não é forçosamente a tranquilidade. Há uma intranquilidade boa, quando passamos da necessidade à evidência. Quando a evidência se nos torna necessária. Por isso, o epílogo foi um acontecimento inteiramente benigno, alegre mesmo, ainda que sofrido, implausível, fugidio. Como naquele poema do Williams que não cheguei a dizer-te a tempo: «A grande maravilha não é / a beleza, por mais funda que seja, / mas a tentativa clássica da / beleza, / no meio do pântano: a / auto-estrada sem saída, abandonada / quando construíram enfim a nova ponte». E aqui deixei, com o pouco que posso, a história da tua beleza e da nossa tentativa.