Juventude (6)
Perdemos a juventude, menino, como no Eça, e o menino sou eu, digo em voz alta enquanto passa este conjectural carro eléctrico. Lá vai ele, Lisboa acima, já não o apanhamos, menino; deixa-o ir, continuemos o passeio a pé, está uma bela manhã de sol. Lá vai ele, Lisboa acima, já o perdemos, já não o apanhamos, ia para uma paragem que não era a tua, menino, dizia «juventude» como o outro diz «desejo», deixa-o ir, anda-se bem a pé, e há outros passageiros com destino à juventude. Lá vai ele. Sobe que sobe, cidade acima. Acelerou agora. Já dobrou a esquina. Adeus.

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